Quinta-feira, 30 de Abril de 2009

Senegal: alarmante histeria homofóbica

Em conferência de imprensa dada ontem
no mausoléu Thierno Saïdou Nourou Tall,
situado em Rebeuss, na parte ocidental de Dacar,
chefes religiosos muçulmanos,
convocados pela Liga dos Ulemas do Islão do Senegal,
anunciaram a criação de uma
«Frente Islâmica para a Defesa dos Valores Éticos»,
«estrutura permanente de sentinela»
formada por «mais de vinte associações»,
em reacção à libertação de nove homens
presos por «homossexualidade»
À saída da
mesquita Cheikh Oumar Foutiyou Tall, Bamar Guèye
(cujo apelido é curiosamente parónimo de gay),
director da Jamra,
organização não governamental islâmica
de «luta contra a sida» (sic),
ao considerar a libertação dos nove homens
«um ataque ao Islão»,
leu uma declaração denunciando
«os lobbies escondidos na sombra»
que, no dizer dos fanáticos,
«urdiram uma conspiração perigosa
contra os valores religiosos»
com o objectivo de obter
o aval da ONU
para uma convenção conducente à
despenalização universal
da homossexualidade.

Já hoje,
em comunicado citado pela
(Agência de Imprensa Senegalesa,
que comemora cinquenta anos)
[http://www.aps.sn/aps.php?page=articles&id_article=55104],
é a secção universitária de
uma proclamada
«Associação de Estudantes Muçulmanos»
que instiga o Estado a
tomar «medidas draconianas»
contra a homossexualidade,
«fenómeno imoral e até bestial».
Desde Fevereiro de 2008,
altura em que
uma revista «cor-de-rosa»
(Icône, depois encerrada)
publicou fotos de
uma «boda de casamento homossexual»
realizada nos arredores de Dacar
(cujos protagonistas,
activistas de uma organização
de luta
contra
o vírus da sida e as hepatites,

foram detidos
no final do ano,

sujeitos a torturas
e condenados
em Janeiro

a uma pena de
oito anos de prisão

anulada no dia 20 deste mês,

após protestos reiterados,

por exemplo,

pela secretária de Estado

dos Negócios Estrangeiros e
dos Direitos Humanos
do governo francês,
Rama Yade,
ela própria nascida
na capital do
Senegal),

a generalidade da
comunicação social
do
«país da Teranga»
(ou seja, da «hospitalidade»

em língua
wolof)
tem veiculado
uma feroz campanha homofóbica,
descrevendo os nove homens

como «viciosos» e «perversos»

que «propagam a sida».


Comungando das posições

dos fanáticos religiosos,

que censuram
o presidente
e o governo
(cessante,
pois hoje foi
anunciada a
nomeação
de novo executivo)

por «cederem» a

pressões exteriores

(sobretudo de França)

que apenas visariam

«a depravação dos costumes»

do país
através
da
«introdução»
de
«vícios ocidentais»,

emissões radiofónicas

chegam ao ponto de

incitar a população
a
linchar e lapidar
quem quer que
aparente ser

goordjiguène

(termo pejorativo
que
significa literalmente
«homem-mulher»
em língua wolof).


Tais manifestações

«equivalem a

um apelo ao ódio,

constituindo
um
incitamento à discriminação,

à hostilidade e
à violência»,

lamenta
Véronique Aubert,
directora-adjunta do

programa África

da Amnistia Internacional,

organização que,
em comunicado divulgado
na segunda-feira, 27,
exorta o governo do Senegal a
zelar pela segurança
dos
nove activistas

entretanto libertados.


No código penal senegalês,

a homossexualidade
é tipificada como
«um acto indecente
e contranatural»
punido com
um a cinco anos de prisão,

além de uma multa
entre
cem mil
e

um milhão e quinhentos mil francos;
se o «acto»
tiver sido
«cometido
com um menor de 21 anos,
será sempre pronunciado
o máximo da pena».


Véronique Aubert
insta
as autoridades senegalesas
a
«revogar a legislação

que criminaliza

as práticas sexuais consentidas

entre adultos do mesmo sexo,

concedendo protecção imediata

àqueles que
podem ser

vítimas de discriminação

ou ataques

em razão do seu

comportamento sexual

presumido ou reconhecido».


«Sénégal : les autorités doivent protéger neuf hommes risquant d'être victimes d'agressions homophobes»
[http://www.amnesty.org/fr/news-and-updates/news/senegal-authorities-must-protect-nine-men-risk-homophobic-attacks-20090427]
«Senegal: Authorities must protect nine men at risk of homophobic attack»
[http://www.amnesty.org/en/for-media/press-releases/senegal-authorities-must-protect-nine-men-risk-homophobic-attack-2009042]
«LUTTE CONTRE L’HOMOSEXUALITÉ :
Un Front islamique pour la défense des valeurs éthiques»
[http://www.lesoleil.sn/article.php3?id_article=46439]
«Le Front islamique garde l’œil sur
les lobbies en faveur des homosexuels
»
[http://www.nettali.net/Le-Front-islamique-garde-l-oeil.html]

«L’ONG JAMRA SUR LA LIBÉRATION DES NEUF HOMOSEXUELS DE MBAO
" Les homos partouzards viennent de
narguer notre justice
avec le soutien de bras longs sans visage "»
[http://www.nettali.net/Les-homos-partouzards-viennent-de.html]
«Après la libération des 9 homosexuels :
Des Imams en jihad contre la dépravation des mœurs
»

«POSITION - En conclave hier à la mosquée omarienne»
[http://www.lequotidien.sn/index.php?option=com_content&task=view&id=6465&Itemid=5]
«Le Sénégal, porte d'entrée des vices occidentaux ?»
[http://www.walf.sn/contributions/suite.php?rub=8&id_art=55051]

«Libération des homosexuels de Mbao :
La Ligue des Oulémas se mobilise pour la défense des valeurs éthiques
»
[http://www.walf.sn/actualites/suite.php?rub=1&id_art=55092]
«Sénégal - libération des neuf homosexuels :
imams et associations islamiques en croisade»
«L’homosexualité fait débat à Dakar»

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